Domingo, 22 de Julho de 2007

Estudo Estético-Metafísico- Mítico de Wando

Por Adriano Bastos

Centenas de mulheres lindas e gostosas pulando como pulgas, gritando palavras que podem ser entendidas isoladamente, mas que soando juntas, lembram um idioma desconhecido. Muitas tiram fotos, escrevem bilhetes com seus batons- não o chocolate; ok, uma escreveu um torpedo com o tal chocolate fálico. Calcinhas são tiradas e atiradas em direção ao palco, onde está uma criatura com seu violão. Um trovador? Mas falo- no sentido de dizer, Freud, go home!- do final do século XX! Sim, talvez um trovador que pegou uma máquina do tempo. Quem sabe o cara não é um Highlander? Afinal de contas, o que ele faz é um tipo de mágica - plic, plic, plic, dedos estalando.
Wando é um mito. Seu mise en scene é simples. Ele levanta as sobrancelhas, forma uma espécie de bico de molusco cefalópode com a boca, faz dos ombros uma pélvis de Elvis e, entre um acorde e outro, canta coisas que a mulherada quer ouvir. “Wando é um tesão!”, disse uma fã que gastou todas as economias que tinha para comprar uma mochila com foguete, última moda da NASA. Ela assustou 57 pombos, 2 gaivotas e um técnico da companhia telefônica, mas realizou o sonho de ver seu ídolo de cima: “Eu queria parecer um anjo para ele!” Wando viu a garota-fogo-de-artifício, e retribuiu com um sorriso de lado, como Les Claypool no clipe de “Jerry was a racecar driver”. Viva a democracia, porque falar em tesão já foi tabu. Na época da ditadura, Juca Chaves reclamava: “Engraçado, vários artistas falam em tesão, mas eu sou censurado quando falo. Por quê, o meu tesão é diferente do deles?” Há aquelas insatisfeitas: “O que falta nele é um bigode...” “Que tipo de bigode, o do Latino, o do Groucho Marx ou o do Mario Bros?”- pergunta o repórter. “Nenhum dos três, um bigode Wândico”, respondeu ela, enquanto acariciava o fio do fone do I-pod, no qual estavam 325 mp3 de seu ídolo, remixados por Moby e Marlboro- box, porque amassa menos quando no bolso.
Wando é um iluminado. Ele é o tipo de cara a quem Deus disse: “Desce lá e arrebenta!” Talvez haja algo de hipnótico na música Wândica. Pode ser o caso dele ter estudado em algum conservatório secreto tibetano, no qual ele aprendeu alguma técnica de mantra tântrico, voltado para fins sexuais não-reprodutivos- claro, porque, do contrário, ele teria que pagar mais pensões do que todos os institutos de previdência do sistema solar, a julgar pela quantidade de corações femininos que balança. É injusto que Wando não conste da Odisséia. Mas ele ainda há de ser um verbete de uma edição revisada d’O Ramo Dourado, de Sir James Fraser.
Bem, um grupo de cientistas tentou estudar o fenômeno Wando, num laboratório e tudo mais, mas terminou numa praia deserta fazendo piruetas, guerra de bolinhas de areia molhada e ouvindo fitas-cassetes de Maria Rita e do extinto grupo Balão Mágico. Como não quero fazer piruetas - ao menos hoje - e tampouco quero ir à praia- porque minha sunga está furada e eu não sou um exibicionista de aeroporto-, fico por aqui, e peço licença para ir à Lan House mais próxima, pois acabei de ser informado de que está disponível no Youtube um vídeo de 15 horas com os melhores momentos de um show do Wando, Live at The Paramount, de 1971.

5 comentários:

Tenshi-Sama disse...

HAhahahahHAHAHahahhaH!
Ficou muito bom Adrian!
^^

Templários SemTeto disse...

Vando, que eu insisto em escrever com V, porque assim me parece ainda mais feio, foi decodificado finalmente!
Há uma grandeza em Vando. Tudo aquilo que é excessivamente ruim não deixa de ter o seu mérito - além de fugir do medíocre.

Monica disse...

Como vc conseguiu descrever tão bem nosso querido ídolo idolatrado Wando eu não sei Adriano ... mas ficou com pra kr... rsrsrsrs

Mandy disse...

Meu, que tudo!!! Estou tendo quase um orgasmo literário com o presente estudo metaquântico!

Wando, Wando... uh la la

Floyd disse...

O nariz dele é milimétricamente perfeito para cheirar as calcinhas atiradas.